Mostrar mensagens com a etiqueta Selvagem Grande. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Selvagem Grande. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

14º Dia (21 de Junho 2010)

Já vemos a Selvagem Grande ao fundo, por volta da hora de almoço devemos chegar lá. A viagem está a correr bem, apesar de o mar estar um pouco agitado. Hoje o sol abriu um pouco e o azul do mar voltou a dar um belo ar da sua graça vou buscar a maquina fotográfica e fazer a reportagem.

Mais um pouco do azul marinho.
Alguma, mas pouca, agitação marítima.
O "rasto" da Caravela
Selvagem Grande ao fundo. 
Chegada dos "companheiros de viagem".
Primeiras fotos das Cagarras, nesta ilha!

Algumas fotos da Selvagem Grande.

Após as manobras para fundear a Caravela, fiz um Bolo de ananás (aventuras culinárias a bordo) para ser o bolo de aniversário do, miúdo, João. O bolo ficou bom nas o problema foi retirá-lo da forma pois ficou de "lado" no prato, que pena!!!

O bolo de Ananás!!
A vela de aniversário, Parabéns João.

15º Dia (22 de Junho 2010)

Selvagem Grande
Selvagem Grande
 É muito mais fácil o acesso a esta ilha pois a Caravela, fundeada na Baía das Cagarras, está muito mais perto de terra. Assim o bote faz as viagens muito mais rapidamente!

Caravela na Baía das Cagarras
Chegada do bote à Ilha.
Aqui não há praia de areia como na Selvagem Pequena!
De manhã fizemos um passeio pela Ilha junto com os guardas da natureza, vigilantes.

O gurpo que fez a visita à ilha neste dia.
Caminhando sempre pelos trilhos.
Qualquer pequeno buraco é escolhido para fazerem o ninho. É impressionante.
Osga (Tarentola boettgri bischoffi) uma sub-espécie das Selvagens.
Vestígios, da tentativa, de ocupação humana no passado.
Pico da Atalaia
Liquens.
Baía da Fonte das Galinhas
A geologia da Ilha é espectacular. Quando chegar a casa tenho de ir procurar mais informações sobre a mesma. O facto de existirem rocha sedimentares intercaladas com rochas vulcânicas (tal como na Selvagem Pequena) deixa-me um pouco intrigada, o que se terá passado por aqui durante a formação destas Ilhas?

A rochas vulcânicas por cima de rochas sedimentares...

Bomba vulcânica. 
Disjunção prismática.
Mais do mesmo,disjunção prismática.
Por toda a Ilha é frequente esta paisagem
Durante a tarde, amostragem numa poça de água com recolha de peixes recolhemos caboz, tainhas e vimos um polvo. Estes animais recolhidos foram medidos, fotografados e depois libertados. Desta vez esta amostragem foi feita com um grupo de trabalho diferente o grupo chefiado por Frederico Almeida.

Literalmente à pesca.
Foto de Raquel Costa
Resultado da amostragem.
Polvo.
Aqui também existem as "misteriosas" bolinhas. Pormenor do seu interior. 
Claro que também se retiraram os dados da poça, largura e profundidade.


A medir a largura da poça.
Foto de Raquel Costa

16º Dia (23 de Junho 2010)

Fomos de novo para a Ilha. 
Eu, o Hélder, os alunos e os jovens tripulantes fomos, após termos falado com os cientistas, fazer a recolha de peixes nas poças de água. 


A recolher as amostras.
Ainda foi possível fazer apanhar uns belos exemplares.
Resultado da "colheita".
Foto de Farah Alimagham
E aprendemos a diferença entre os Blénios e os Góbios (caboz mais comum).
Blénios - barbatana dorsal simples, sem escamas.
Bem visível a barbatana dorsal simples.
Foto de Farah Alimagham
Góbios - barbatana dorsal dupla, barbatana pélvica unida tipo ventosa pois são um peixe de fundo, com escamas.
Barbatana pélvica unida.
Foto de Farah Alimagham
Barbatana dorsal dupla
Foto de Farah Alimagham
 Aprendemos também a distinguir os caranguejos machos das fêmeas, os machos têm o desenho ventral em forma de triângulo e as fêmeas numa forma mais arredondada, os que estão representados na foto seguinte são de espécies diferentes. 


Caranguejos macho (esquerda) e fêmea (direita).
Foto de Farah Alimagham
Eu aproveitei também para fotografar mais umas estruturas geológicas.
Depois de almoço fomos para o navio Almirante Gago Coutinho para assistir ao mergulho do Rov eu e a Catarina, foi fantástico.Tivemos de levar o saco cama pois o mergulho do ROV deverá acabar de noite e depois tem de se analisar tudo o que ele recolhe e só depois, se houver tempo, é que vamos dormir.


Chegamos ao Almirante Gago Coutinho transportadas pelo semi-rígido conduzido pelo Chefe de Missão Professor Pinto de Abreu (fizemos um desvio e fomos ao Creoula para ir buscar o Comandante do mesmo).
Quando chegamos ao Gago estavam em limpeza, por causa das individualidades que vêm amanhã, e nós apanhamos uma verdadeira molha com água da limpeza que escorria mesmo no local onde a embarcação Selvagem nos deveria deixar.
Tivemos algumas horas de espera enquanto as pessoas da plataforma colocaram o Rov em posição e condições de mergulhar.
Por volta das 17 horas o Rov começou o funcionamento para entrar dentro de água.
Às 18.34 estávamos na sala a observar a televisão em alta definição para vermos as imagens do Rov, isto é as imagens captadas pelo Rov.

O mergulho foi feito nas coordenadas GPS: 3006.25 33N
                                                                       01555.01 W
Com uma profundidade inicial de 700.39 m
Durante a descida e à medida que a luz ia desaparecendo vimos vários crustáceos e pequenos peixes vimos também pequenos hidrários .
No inicio do mergulho (depois de já estar no fundo) vimos uma esponja que o Rov mediu com o seu feixe de lasers, tinha cerca de 60 cm de diâmetro, era muito grande para o Rov.

Esponja.
Só quando assistimos de facto a um acontecimento destes é que temos a noção de determinadas coisas como por exemplo o   tamanho dos objectos, isto é, no fundo do mar não temos termo de comparação e por isso é difícil ter noção de algo tão simples como uma esponja daí ser fundamental poder-se fazer a medição de um determinado objecto para ter uma noção do seu tamanho.
Entanto tentou-se apanhar um camarão que fazia da esponja a sua casa, mas ele foi mais rápido que o braço sugador do Rov.


Camarão. Na imagem vê-se a profundidade.
 De seguida encontramos esponjas Chupa-chupa com uma espectacular com azul.
Esponjas Chupa-chupa. Visível na imagem o braço sugador do Rov.
O Rov a recolher um esponja com o braço mecânico.
Visível na imagem um dos contentores para armazenar as colheitas.
O mergulho continuou e o ROV moveu-se ou melhor os técnicos que o movimentam disseram que o Rov estava em voo. Chegamos a uma zona que tinha aquilo a que foi chamado crostas ferromanganesiferas!

Crostas ferromanganesiferas.
Durante a continuação da deslocação do Rov observamos uns montículos de areia, foi-me dito que seriam bolinha de regurgitação (organismos que vivem de baixo da areia, que retiram a matéria orgânica e libertam a areia já sem a matéria orgânica e fazem esta estrutura - já tinha visto algo resultante do mesmo processo mas em estruturas fósseis, nunca "ao vivo".
Antes das crostas ferromanganesiferas nós fomos jantar à messe dos oficiais, sentamo-nos na mesa e fomos servidos pelos marinheiros de serviço, comemos uma sopa de legumes e como segundo prato esparguete, carne (dois bifes), ovo estrelado e batata frita.
Tivemos direito a água (quanta quiséssemos), fruta e café.
O comandante do Navio, Bessa Pacheco, também estava a Jantar, eu e a Catarina ficamos sentadas na mesa da jornalista da SIC.
Após o jantar voltamos para a sala de observação do ROV e continuamos com a recolha de imagens e vídeos.
Apareceu na imagem um lindo peixe.
O peixe, Cytopsis rosea,  ficou durante algum tempo a "inspeccionar" o Rov. 




Já no final do mergulho vimos tunicado do género Pirossoma e crinóides.
 
Crinoides.
Também foi feita uma recolha de material neste local. 


Claro que não posso deixar de referir o que aconteceu depois. Durante a subida do Rov para a superfície aconteceu qualquer coisa (o que foi, não sei) ao umbilical (cabo que prende o Rov ao Navio e por onde passa toda a fibra óptica que transmite as imagens e as ordens que se dão ao Rov). 
O Rov acabou por ficar no fundo do mar ao largo das ilhas Selvagens. Bom foi uma situação que gostava de não ter presenciado, o olhar de consternação de toda a gente que estava lá, o olhar incrédulo de alguns, mas felizmente há sempre pessoas positivas nestas situações e o professor Biscoito acabou por nos tranquilizar, a todos. sobre o estado em que o Rov teria ficado.


Como já não iria existir o trabalho no Navio de análise do material recolhido no fundo do mar, fomos recambiados para as embarcações de origem. Quem era do Creoula foi para o Creoula e quem era da Caravela foi para a Caravela, mais uma vez fomos no semi-rígido, mas desta vez já era bem de noite e muito escuro, foi um passeio diferente. Se não fosse a preocupação pelo Rov.

17º Dia (24 de Junho 2010)

Dia das oficialidades!
Veio o helicóptero com as individualidades entre eles o Secretário de Estado do Ambiente, não fomos a terra, isto é, ficamos todo o dia na Caravela, aproveitei para ler um pouco, e também para colocar a escrita em dia!
Volta de reconhecimento na hora da partida.
Ainda não falei no dia a dia na Caravela, desta vez, com os tripulantes mais novos. Após realizadas todas as tarefas,  tempo é aproveitado ou para ir à ilha, ou ficar na Caravela e aproveitar para dar uns belos mergulhos, neste local paradisíaco!


Aqui ficam algumas fotos desses momentos... 


Pacientemente à espera...
Vamos ao mergulho?
Mais uns mergulhos.

Creoula ao luar!
Gago Coutinho.
Fotos sem flash e com o efeito da agitação da Caravela!


Comunicação da Base terra sobre o que já tinha sido feito – pequena informação que a Mónica transmitiu para o Gago Coutinho sobre o trabalho já realizado:
Selvagem pequena:
- 17 saídas que cobriram todos os sectores da Ilha
- 10 percursos a 5 metros em apneia  e com garrafas cobrindo o sector 3 em frente à praia do desembarcadouro selvagem pequena sudoeste.
- As condições de mar não permitiram outros sectores.
Selvagem Grande:
- 3 saídas de intertidal (sector 3 e 6)
- 3 mergulhos (sector 6)
- Foram identificadas cerca de 40 espécies de peixes no intertidal nas duas ilhas. As espécies foram identificadas e quantificadas nas poças e nos mergulhos.

18º Dia (25 de Junho 2010)


A viagem até à gruta foi feita no barco dos vigilantes da Natureza, como é um barco mais potente que o Vera Cruz auxiliar não tive coragem de levar a minha máquina fotográfica na mão, assim a fotografa desta actividade foi a Farah (que tinha deixado a sua máquina na Caravela).
Local onde saímos do barco.
Depois tivemos de subir as rochas até à entrada da gruta.
A nossa chegada para a visita à gruta.
Foto de João Rego
Lá ao fundo está a nossa boleia.
Creoula e Gago Coutinho ao fundo.
Claro que não me aventurei no barco sem o uso do colete. Quando cheguei ao local da gruta não o quis tirar para não o perder e assim todas as fotos em que eu apareço na gruta estou com o colete!
 Mais uma vez esta visita possibilitou observação fenómenos geológicos fantásticos, que aliás foram uma constante até agora nesta viagem.



Praticamente todas as fissuras da rocha vulcânica estão preenchidas por
rochas sedimentares, formando o aspecto visível na foto.



Pormenores das rochas sedimentares
Quase toda a superfície da gruta está coberta por um mineral que identificamos como sendo gesso.
Rochas cobertas por gesso.
Gesso.
A gruta era o resultado de uma falha que pelos vistos afecta uma grande área da Ilha.
Deparamos neste local também com ninhos de Cagarras, mas estas não estavam habituadas à presença humana e tinham um comportamento muito diferente.
Lá ao fundo fica a entrada da gruta.
O grupo de pessoas serve de escala,
assim temos uma ideia do tamanho de gruta.
Cagarra no ninho, dentro da gruta. 
A vista deste local era espectacular!

Pequena praia junto à gruta.
Chegada à Caravela.