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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

24º Dia (1 de Julho de 2010)

Acordei às 7.00 da manhã com a alvorada, a noite correu bem e foi fácil dormir. Não enjoei! 


De manhã, já depois do pequeno-almoço, fizemos a limpeza geral neste caso foi na casa de banho, com lixívia bem forte o que até provocou algum ardor nos olhos. Agora temos o tempo livre até ao meio dia, altura em que volto a entrar de quarto mais uma vez devem calhar-nos as tarefas de cozinha e copa.


Navegação também à vela.
Fazendo um balanço geral a viagem correu muito bem, estive com os cientistas fiquei com alguns contactos, vi como eles trabalhavam, agora só preciso de colocar as ideias no papel para que possa tudo funcionar como deve ser.
Desta vez ao azul-escuro do mar junta-se uma nova cor mais visível aqui do que na Caravela, a cor azul bebé resultante do impacto do barco nas águas do mar, a viagem está um espectáculo não arranjo palavras suficientes para expressar todos os meus sentimentos.


Mesmo no local onde a água "salta" vê-se o outro azul!
O final do dia.
Foto de Romina Nunes
A minha irmã faz anos hoje... Parabéns Mónica! Estou quase a chegar a casa...

25º Dia (2 de Julho 2010)

Desta vez o meu quarto começou às 4 da manhã, para não ser tão pesado fizeram-se apenas duas horas de cada vez assim estive mais uma vez na ponte, o que até foi bom pois assim não apanhei tanto frio, estava mesmo muito frio. 
Na ponte aprendi a marcar os pontos estimados sobre qual a nossa posição daqui a algum tempo, no caso às 07.05 foi giro mas já não me lembro como se chama esse ponto, no entanto já sei o nome dos 4 mastros que seguram as velas são eles respectivamente (da proa para a popa) Traquete, Contra Traquete, Grande e Mesena fica a faltar o nome das velas, mas elas são tantas!
Pormenor das velas
Mastros e vela






















Na outra vez que estive na ponte a carta de navegação usada ainda era a da Ilha da Madeira, agora já estávamos na carta continental, no entanto com uma grande escala à medida que nos fomos aproximando do continente as cartas vão tendo uma escala menor para que se possa navegar com maior precisão.
Hoje só fui tomar o pequeno-almoço às 8h quase à hora de fecho da cantina, aliás da copa depois fizemos formatura à 8h30 e fomos fazer as limpezas. 
Logo entro de turno às 20h. 
Vamos ver que serviço nos vai calhar!


Dou por mim a pensar como estará a Caravela a aguentar-se no seu percurso para Lisboa será que a nova tripulação se está a aguentar?...
Acabamos de ver golfinhos a interagir com o navio. Era uma grande quantidade deles, claro que como não tinha cá a máquina não fotografei, …, pode ser que assim aprenda…
A viagem está a ser óptima apesar de hoje ter estado muito frio.

Acabo também por estar a aproveitar estes momentos para respirar os últimos dias livres antes de regressar ao trabalho.

26º Dia (3 de Julho 2010)


Hoje o mar está mais agitado, falaram em ondas de 4 metros, não sei quantos metros são mas o certo é que de quando em vez entra uma onda pelo convés, lateralmente, neste caso a bombordo, vemos as ondas a passar ao lado do barco.


Na "auto-estrada" do oceano também se fazem ultrapassagens.


Já me consegui lembrar do nome que na Caravela se dá aos cabos que prendem o leme, são o gualdropes (verde e vermelho) o outro nome que também me esquecia sempre é o talabardão.
Aqui também já aprendi uma série de coisas, já sei (acho eu) marcar pontas na carta, por agora faz-se de hora a hora, também já fiz a marcação de pontos estimados, já estive ao leme e na vigia (aqui quase não se faz nada, só se observa, o que neste caso também é muito importante!).


O leme, isto é cada volta do leme corresponde a 5 graus, cada malagueta (divisão do leme) corresponde a meio grau. É giro estar a manobrar o leme, mas como agora está mais agitado é muito difícil manter o rumo, ontem à noite o rumo era 040, agora não sei qual é!


Para chegar a bom porto basta seguir o rumo certo.
Foto de Romina Nunes

O anoitecer.








27º Dia (4 de Julho 2010)

Hoje estive de quarto das 4 às 8 da manhã, como da outra vez que fizemos este quarto eu tinha estado entre as 4 e as 6 desta vez vim para o quarto das 6 às 8. 


Nascer do Sol.
Ontem no Quarto das 12 às 16 fiz o relatório de quarto, foi giro. O oficial de turno ditou tudo o que era necessário escrever. Neste relatório falamos de vários pontos específicos segundo uma tabela de ocorrências, utilizando uma linguagem própria, fizemos o relatório como se fosse uma acta e depois assinamos, eu que escrevi e o tenente chefe de turno, aliás oficial tenente.
Hoje depois do almoço tivemos faina geral de mastros e subimos o resto das velas que ainda não estavam içadas. Depois seguiu-se faina geral ou seja a limpeza mais uma vez fiquei com a casa de banho, tem sido todos os dias!

Ontem apesar do mar estar agitado como eu gosto, o fim da tarde foi óptimo, não o por do sol pois esse não vi, mas o resto da luz que o dia ainda tinha foi óptimo, no final apareceu um céu lindo cheio de estrelas daqueles que só devo ter visto umas 3 ou 4 vezes durante esta viagem. 

Ainda não consegui comprar as t-shirts, parece impressionante como apesar de não termos muito para fazer o tempo não pára. Amanhã já chegamos a terra e ao mundo real, infelizmente está a acabar!

Foi bom vir para o Creoula, assim tive mais outra experiência diferente.

Desde a madrugada de hoje que já vamos ao lado de terra, a umas quantas milhas, mas junto à costa da qual só vemos o contorno. Já existe rede nos telemóveis e já toda a gente telefona (só de vez em quando!).


Lá ao fundo já se vê terra.
Estou de quarto, mas estou no meu beliche, o mar está mau, não podemos fazer nada (isto é ir para a ponte, para o leme ou para a vigia) por isso já terminei o serviço da copa, isto é, já lavei a louça. Agora só me resta esperar por amanhã para a manobra de atracagem! Acho que temos de acordar às 5 da manhã.


Um dos poucos momentos em que o sol nos brindou com a sua presença.

A aproveitar o azul do céu e do mar.

Quase na hora do almoço.
Disseram que a Vera Cruz já está no radar e mais próximo de Lisboa do que nós!

Boa significa que a viagem correu bem, 
É engraçado que apesar de serem embarcações totalmente diferentes existem coisas que se repetem quer na Caravela quer no Creoula, assim ambos os cozinheiros usam o termo impecável, ambas as embarcações navegam à vela, ambos os comandantes gostam de ter a sua embarcação a navegar à vela, a caravela é uma réplica de uma embarcação antiga e o creoula é um navio também ele adaptado da sua antiga função, era um barco usado para a pesca ao bacalhau e o seu casco reforçado pois tinha de navegar em mares gelados, actualmente cerca de 90% do casco ainda é o original, apesar de este navio já ter mais de 65 anos.
São 10h da noite, vou ver se acabo o meu livro. 

28º Dia (5 de Julho de 2010)

O dia começou muito cedo, quando cheguei ao convés já estávamos a entrar no rio Tejo, aproveitei para tirar fotos de Lisboa, "apanhando" a luminosidade do nascer do sol.
Amanhecer.
Forte do Bugio.

Ponte 25 de Abril ao fundo.
Torre de Belém.
Padrão dos descobrimentos.
Ponte 25 de Abril.

Terreiro do Paço.
Lisboa.
Castelo.
Tejo.

Em formação.
 Estivemos em formação, e depois foi a confusão das despedidas, o arrumar e descarregar tudo para o porto.
E…
… a aventura chegou ao fim… pelo menos esta etapa…

E assim termino este diário de bordo. Muitas coisas ficaram por contar, algumas de propósito outras porque não foram escritas na altura em que aconteceram e a memória depois começou a pregar partidas.
Para quem esteve presente esta expedição cá ficam os títulos de outras coisas que eu gostava de ter relatado:
- A oferta de sopa e pão ao pessoal que estava em terra.
- A história do queijo
- Outras histórias de comunicações entre as diferentes bases.
- A historiada barbatana e tubarão avistada ao largo da Selvagem Grande, pela tripulação da Caravela.
Enfim… as cores, os cheiros, as sensações, as emoções, os receios,… ficam por transmitir.
Eu não sei “escrever” por isso é ainda mais complicado conseguir transmitir tudo… só mesmo participando é que se tem esta noção.